Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
Vilarinho da Furna está de luto - V
Finalmente, o Henrique Pereira dos Santos deu-me "toda a razão". É de saudar. Só lhe fica bem.
Quanto às falácias do Henrique, que referi, relativamente às suas contas inflacionadas para controlo dos incêndios, em Vilarinho da Furna, elas rsultam, essencialmente, de aplicar a mesma média exagerada, a todo o terreno.
É que, nos 2000 ha do monte de Vilarinho, há situações muito dferentes. Como pode haver formas de interveção muito diferenciadas. Em termos concretos, nesse monte, há uns 50% de grandes afloramentos rochosos e zonas de vegetação espontânea muitos rasteira, bastante inacessíveis, que não carecem, praticamente, de intervenção. Depois, os tipos de intervenção também são muito diferentes, conforme a natureza dos terrenos. Em Vilarinho, em 2009/2010, foram utilizados 4 tipos: fogo controlado durante o inverno; faixas de proteção com roça e detroço de mato; roça e detroço de mato integral em zona de matagal com mais de 30 anos, com bastante pedra; roça e detroço de mato integral, com desbaste de pinhal, em área ardida há 25 anos.
Evidentemente que os preços por hectare são muito diferenciados. Por exemplo, em 2009, fora dos afloramentos rochosos, a custo zero, fez-se fogo controlado e faixas de proteção, a um custo médio de 8 euros por hectare. Já, em 2010,  roça, destroço e desbaste de pinhal, nas zonas antes referidas,  e fogo controlado noutras (poucas) áreas, ficou por uns 1000 euros por hectare.
Eu próprio fiquei "assustado" com este último orçamento, Mas foi-me explicado que era a única zona no Monte de Vilarinho que ficaria a custo tão elevado, dado o tipo de matagal e terreno pedregoso, acrescido do desbaste de pinheiros.
De futuro, utilizar-se-iam, principalmente, os fogos controlados, de inverno, e a limpeza de faixas de proteção. E uma coisa é roçar matagais com 30 anos e outra, bem diferente, quando os matos têm apenas 4 anos, como propus.
Além disso, em Vilarinho, há pontos mais expostos ao início de incêndios, que estão perfeitamente identificados e que devem ser objeto de especial cuidado de limpeza.
Isto relativamente a Vilarinho da Furna.
Extrapolando para o país, e dando de barato que, neste, "cerca de seis milhões [de hectares] são matos e floresta", como diz o Henrique, penso que a este valor também se lhe deveria subtrair uns 50% relativos a afloramentos rochosos, estradas, auto-estradas, caminhos, lagoas, baragens, rios, que há pelo meio dos referidos matos e floresta. E o respetivo custo anual de 300 milhões de euros, referido pelo Henrique, já ficava reduzido a 150 milhões de euros.
Optando, maioritariamente, pelo fogo controlado de inverno e faixas de proteção, penso que facilmente se poderia reduzir o valor, antes apontado, para uns 50 milhões de euros ano. O que seria metade do "custo do dispositivo do combate", mencionado pelo Henrique. E a efiência (presume-se) seria muito maior, pois, como tem estado, não é só Vilarinho que, todos os anos, fica de luto, mas todo o país. E "o ambiente agradece" a mudança de paradigma de luta contra incêndios.
Manuel Antunes
 
NB - Esta mensagem está escrita segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, exceto nas gralhas e citações.
----- Original Message -----
From: Henrique Pereira dos Santos
To: 'Manuel Antunes' ; 'AMBIO'
Sent: Sunday, September 12, 2010 7:28 PM
Subject: RES: [ambio] Vilarinho da Furna está de luto

O Manuel tem toda a razão, concordo com tudo o que diz e etc..

Só tenho pena foi que se tivesse esquecido de dizer quantos hectares limpou com os 65 000 euros. Isso é que era informação útil para a discussão.

Quanto ao país todo fazem-se já umas contas de algibeira: o país tem 9 milhões de hectares. Destes, cerca de seis milhões são matos e floresta. Vamos admitir que é preciso limpar os matos de cinco em cinco anos. Para facilitar, vamos admitir que só limpamos 5 milhões de hectares, ou seja, um milhão por ano. O preço de limpar matos varia entre os 50 euros por hectare nas situações mais favoráveis (povoamentos industriais bem instalados onde pode passar uma grade de discos), até muito mais de 1000 euros por hectare (escarpados só passíveis de ser limpos manulamente e com produtividades de trabalho muito baixas. Vamos estipular um preço de 300 euros por hectare (que é um preço médio baixo). Custo anual: 300 milhões de euros. Custo do dispositivo de combate (que mesmo assim não pode ser todo eliminado, mas vamos supôr que sim): 100 milhões.

Caro Manuel,

Venham de lá os seu números e deixe a retórica para quem aprecia o género.

henrique pereira dos santos



publicado por MA às 12:26
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010
Vilarinho da Furna está de luto - IV
Pelos vistos, o Henrique Pereira dos Santos já se convenceu (ou só deixou cair a questão?) que os acessos servem para alguma coisa no combate aos incêndios. Se assim for, dou por bem empregue a "retórica" e a "emoção" que me atribui.
Como "a experiência é a madre de todas as cousas, per ela soubemos redicalmente a verdade..." (Duarte Pacheco Pereira, Esmeraldo de situ orbis, 1506), desafio o Henrique a ir deitar fogo, em Vilarinho da Furna, nos locais onde a AFURNA fez a limpeza de matos e fogos controlados, em 2009/2010. Aposto que não vai haver aí incêndio. Vale?
E porque é que eu digo que, para evitar os incêndios, é necessário fazer limpezas de quatro em quatro anos? Pela mesma experiência de que fala Duarte Pacheco Pereira, os incêndios, em Vilarinho, ocorrem, nas mesmas áreas, a um ritmo médio de cinco ou seis anos. E não me venham dizer que não há dinheiro para a limpeza proposta. Ou será que os burocratas do ICNB "comem tudo / eles comem tudo / e não deixam nada..." (Zeca Afonso), da pseudo eco-taxa criada pelo governo de Durão Barroso, para defesa e desenvolvimento da floresta?
Quanto às contabilidades do Henrique Pereira dos Santos, se assim fosse, não haveria multinacional que resistisse, quanto mais uma  simples associação sem fins lucrativos, como é a AFURNA.
Henrique, olhe que as suas contas estão radicalmentre erradas porque altamentre inflacionadas. Pode ser que ainda lhe venha a mostrar onde estão as suas falácias.  Mesmo assim, o Henrique "esqueceu-se" de um pequeno/grande pormenor. Esqueceu-se de fazer as contas dos gastos com o negócio dos incêndios (bombeiros, helicópteros, aviões, militares, peregrinações de ministros, parlamentares e outras comitivas). Não apenas em relação a Vilarinho da Furna (isso é de pouca monta) mas para todo o país.
Já agora, faça as contas e diga, depois, o que fica mais barato. E "o ambiente agradece" que os fogos sejam evitados.
  
Manuel Antunes
 
NB - Esta mensagem está escrita segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, exceto nas gralhas e citações.
----- Original Message -----
From: Henrique Pereira dos Santos
To: 'Manuel Antunes' ; 'AMBIO'
Sent: Friday, September 10, 2010 12:51 PM
Subject: gestão, emoção e razão

“Mas, mais que controlar o fogo, importa evitá-lo. E, em Vilarinho, nos locais onde, em 2009/2010, foi feita limpeza de matos e fogo controlado, de inverno, com uns 65.000 Euros que a AFURNA lá gastou, não ardeu. Mas, daqui a uns quatro anos, haverá que fazer novas limpezas para evitar novos fogos. O que até ficaria muito mais barato ao Estado (a todos nós) do que andar por aí com o espetáculo dos helicópteros, dos aviões, dos bombeiros, do exército, seguido das peregrinações de ministros e deputados, no negócio dos incêndios.”

 

Manuel Antunes, na sua liderança da Afurna, tem optado por usar toneladas de emoção como argumento para defender os interesses dos associados da AFURNA. Esta frase que transcrevo é excelente para discutir onde essa opção leva e as opções alternativas possiveis.

Começo por registar a minha discordância em relação à primeira frase, que é um dos grandes consensos entre quem discute os fogos. Mas eu divirjo desse consenso. Porque não concordo que seria melhor evitar que controlar o fogo? Não, apenas porque não é realista supôr que é possível evitar o fogo.

Mas para esta discussão nem é muito importante, porque depois Manuel Antunes fala em limpar matos e usar fogos controlados, no que já estamos de acordo que sejam acções importantes para controlar o fogo.

Portanto tecnicamente até haveria aqui uma boa base de convergência para discutir um modelo de gestão.

Só que a essência do problema não é técnica, é económica.

E este parágrafo de Manuel Antunes é particularmente luminoso nesse aspecto.

Vejamos os dados que se podem obter do que diz Manuel Antunes.

1)  Grande parte da encosta de Vilarinho ardeu;

2)  Uma pequena parte não ardeu porque foi feito controlo de combustiveis

3)  Não é possível saber de que áreas estamos a falar, mas vamos admitir que foram intervencionados e não arderam, 10% da área de Vilarinho. Penso que é um valor por excesso mas gostaria de trabalhar num cenário desfavorável às minhas teses. Ou seja, teriam sido intervencionados 200 hectares (visto a propriedade dos sócios da afurna ser sensivelmente 2000 hectares, de acordo com Manuel Antunes);

4)  A intervenção custou 65 000 euros;

5)  E será necessário repeti-la daqui a quatro anos;

6)  Ainda assim o fogo não foi evitado na maior parte da propriedade;

7)  Vamos admitir que o dobro da intervenção (20% da área total), se distribuída estrategicamente, permitia limitar os efeitos de cada fogo;

8)  Teríamos então um custo de 130 000 euros de quatro em quatro anos, ou seja, um custo anual de 40 000 euros (números redondos);

9)  Consegue a Afurna retirar um rendimento de 40 000 euros anuais do que produzem os 2000 hectares que detém?

Com o modelo de gestão implícito nos projectos que vi há muitos anos, era precisa uma exploração florestal intensa e em que todos os aspectos favoráveis coincidissem. Já não falando da necessidade de garantir que os sócios da Afurna teriam disponibilidade financeira para aguentar trinta nos a gastar 40 000 euros por ano para depois retirar respectivo rendimento (a somar aos imensos investimentos necessários para garantir a execução dos projectos).

Esta opção só se coloca se se admitir que o Estado, de uma forma ou de outra, vai financiar uma boa parte destas operações.

Tem sido esta a armadilha de grande parte da política florestal, a ideia de que investindo o Estado na criação de “capital florestal” a operação se pagaria a si própria e remuneraria, mesmo que marginalmente, o capital. E também por isto o discurso de Manuel Antunes é o de procurar demonstrar que ficaria mais barato ao Estado financiar estas operações que ter um dispositivo de combate (outro dos equívocos da política florestal tem sido a socialização da prevenção e combate e a privatização das mais valias).

É por isto que proponho um modelo económico alternativo, que podem ir ver na Faia Brava ou na cooperativa Terra Chã, entre outros. Sim, têm vivido muito de dinheiros públicos, é um facto, mas o caminho que prosseguem é o de se irem libertando dessa dependência criando valor que os torne sustentáveis economicamente.

O que não passa tanto pela valorização florestal dos seus terrenos, que são razoavelmente marginais e condicionados quer pelas suas características, quer pela sua mais valia de biodiversidade, mas sim por assumir a biodiversidade como motor da criação de valor.

henrique pereira dos santos



publicado por MA às 12:18
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010
Vilarinho da Furna está de luto - III
Afinal, o Henrique Pereira dos Santos até começa por estar de acordo comigo (e penso que com 
muita outra gente) ao escrever que "Sempre que arde numa zona sem acessos (e 
mesmo muitas vezes em zonas com acessos) aparecem queixas de que isso se 
deve à falta de acessos". O que afirma, de seguida, - "O corolário desta 
opinião é, necessariamente, que havendo acessos deixam os fogos de ser um 
problema" - é que, além de não estar na premissa, não tem pés nem cabeça.
Também não consegue justificar que,  "onde há acessos (incluindo 
auto-estradas)", os fogos seriam menos ou inexistentes ou melhor controlados 
se tais acessos não existissem.
Pelo menos, em Vilarinho da Furna, está mais que provado que, onde não há 
acessos, o fogo anda sempre descontrolado e, onde há acessos, incluindo 
estradas, o fogo controla-se com facilidade.
Nestas condições, "com autorização ou sem ela, vamos, dentro em breve, abrir
novos caminhos florestais", na nossa terra. Sem qualquer ilegalidade, como é 
timbre d'AFURNA.
Mas, mais que controlar o fogo, importa evitá-lo. E, em Vilarinho, nos 
locais onde, em 2009/2010, foi feita limpeza de matos e fogo controlado, de 
inverno, com uns 65.000 Euros que a AFURNA lá gastou, não ardeu. Mas, daqui 
a uns quatro anos, haverá que fazer novas limpezas para evitar novos fogos. 
O que até ficaria muito mais barato ao Estado (a todos nós) do que andar por 
aí com o espetáculo dos helicópteros, dos aviões, dos bombeiros, do 
exército, seguido das peregrinações de ministros e deputados, no negócio dos 
incêndios.
Quanto aos projetos d'AFURNA, se o Henrique não os entendeu, até agora, 
também não os vai, certamente, entender. Esta associação apenas tem posto 
como condição, aos seus técnicos, que os projetos sejam, tanto quanto 
possível, tecnicamente impecáveis e politicamente indiscutíveis. Nesta 
situação, vamos fazendo o que nos deixam e o que podemos. E, por favor, 
poupem-nos aos eucaliptais nas encostas de Vilarinho. Já só cá nos faltava 
essa!...
Mas, Henrique, não se preocupe com essa falta de entendimento. Também eu não entendi a sua tirada acerca dos
"proprietários absentistas Afurna". Será que algum dos nossos associados se absteve nas últimas eleições autárquicas, ou legislativas, ou se vai abster nas próximas presidenciais? E que é que o Henrique tem a ver com isso?
Cumprimentos.
Manuel Antunes

NB - Esta mensagem está escrita segundo o Novo Acordo Ortográfico da Língua 
Portuguesa, exceto nas gralhas e citações.

> ----- Original Message -----
> From: "Henrique Pereira dos Santos" <
as1075017@sapo.pt>
> To: "'Manuel Antunes'" <
mantunes@mail.telepac.pt>; "'AMBIO'"
> <
ambio@uevora.pt>
> Sent: Thursday, September 09, 2010 8:49 AM
> Subject: RES: [ambio] Vilarinho da Furna está de luto
>
>
> Claro que há outras opiniões, o que interessa discutir é o fundamento de
> cada uma delas. Sempre que arde numa zona sem acessos (e mesmo muitas vezes
> em zonas com acessos) aparecem queixas de que isso se deve à falta de
> acessos.
> O corolário desta opinião é, necessariamente, que havendo acessos deixam os
> fogos de ser um problema.
> Ora, independentemente das opiniões, os factos verificáveis é que arde
> também onde há acessos (incluindo auto-estradas).
> Significa isto que haver ou não acessos é irrelevante? Não, significa apenas
> que os acessos são apenas um factor a ter em atenção e que, por si só, não
> garantem coisa nenhuma.
> A questão pois é a do modelo de gestão do território que estará no terreno.
> E o meu problema é que até hoje não percebi bem o que pretendem os
> proprietários absentistas reunidos na Afurna.
> Se o que pretendem é o modelo florestal que há cento e cinquenta anos se
> tenta pôr em prática em todo o território (florestação em todo o lado com
> infra-estruturação do ponto de vista dos acessos e pontos de água associada
> a acções de silvicultura preventiva que garantam o rendimento dos
> povoamentos) o que tenho a dizer é que vão falhar, como tem falhado o modelo
> em quase todo o país.
> Onde é que este modelo tem dado boas provas?
> Nas estações onde o eucaliptal tem produtividades suficientemente
> interessantes para que uma gestão avançada como a das celuloses garanta
> retorno. Nas regiões do Noroeste, que incluem a encosta de Vilarinho, em que
> quer o eucalipto quer o pinheiro têm produtividades suficientemente altas
> para que mesmo ardendo aqui e ali os proprietários tirem algum rendimento
> numa lógica de pura recolecção: sem investimento e esperando que o ciclo de
> fogo seja suficientemente alargado para que dê para de vez em quando vender
> alguma madeira.
> Para que estes dois modelos sejam viáveis é necessário que a dimensão da
> propriedade seja interessante no primeiro caso e que a densidade
> populacional (e consequente descontinuidade dos combustiveis) seja elevada
> no segundo.
> Em qualquer dos casos estes modelos florestais são muito pobres do ponto de
> vista do património natural.
> Como a densidade populacional na serra Amarela é muito baixa, não havendo
> descontinuidade dos combustiveis, apenas um modelo de implantação de uma
> floresta de produção intensiva (provavelmente eucaliptos, mas penso que
> poderia ser mais variada) seria viável na encosta de Vilarinho, mesmo que as
> suas características impusessem algumas limitações técnicas.
> Ora isso é uma impossibilidade social. Não se trata de planos de ordenamento
> e coisas que tal, trata-se da sociedade no seu todo não aceitar transformar
> a serra Amarela numa serra de Ossa em ponto grande (e mais produtiva).
> Do meu ponto de vista, a associação de proprietários absentistas Afurna, ao
> ameaçar pôr-se fora da lei (iníqua ou não), para fazer acções pontuais sem
> grande relevância na valorização do património dos seus associados, está a
> cometer um erro colossal.
> O enquistamento numa posição de reivindicação de direitos ancestrais (que
> verdadeiramente ninguém nega e são iguais aos de quaisquer outros
> proprietários pelo país fora), suportada numa retórica de ressarcimento da
> injustiça histórica sofrida com a construção da barragem tem conduzido a uma
> opção de confronto com todos os que são os seus aliados naturais na
> valorização do seu património.
> Porque gosto da serra Amarela, porque reconheço a injustiça histórica a que
> as pessoas de Vilarinho foram sujeitas e porque me impressiona a quantidade
> de energia gasta sem vantagem para ninguém, faço ao Manuel Antunes uma
> sugestão: abandone a retórica em que se especializou, abandone o sonho da
> valorização pela florestação, abandone a mitificação da relação dos seus
> associados com aquele território e faça uma verdadeira revolução nos
> objectivos operacionais, mantendo o objectivo final de valorização do
> património.
> A minha sugestão é a de olharem para os vossos 2000 hectares como uma
> reserva de biodiversidade, assumi-la como tal e valorizar no mercado (e não
> no lobbying junto de quem decide sobre o dinheiro público) a sua intrínseca
> valia de biodiversidade, com ou sem fogos (os fogos são razoavelmente
> irrelevantes deste ponto de vista).
> Assuma as condições únicas para criar uma verdadeira área de wilderness,
> assumam que querem criar uma verdadeira área de não gestão (ou de gestão
> mínima) assuma que os fogos farão parte do seu sistema (se ardeu, trabalhem
> a observação e avaliação da recuperação dos sistemas para o público),
> orientem a gestão para captar visitantes (relativamente poucos mas de
> elevado valor), esqueça as estradas mas crie os melhores caminhos de pé
> posto, trabalhem os conteúdos de biodiversidade e etnográficos, criem um
> sítio único a partir da tragédia da aldeia, entrem no mercado das doações
> internacionais para ter dinheiro para o investimento inicial, negoceiem
> seriamente o direito de acesso pago, incluindo para pessoas de mobilidade
> reduzida e profissionalizem a gestão, com fortes valias nas áreas da
> biodiversidade mas também na área da captação de recursos externos
> (provavelmente com dinheiro externo nos primeiros três anos, o que é fácil
> de conseguir se houver um projecto credível de sustentabilidade económica da
> estrutura mínima de funcionamento, o que é fácil no vosso caso).
> Manuel Antunes, se quer verdadeiramente valorizar o património desses
> proprietários que sabe que são absentistas e que sempre serão (cada vez
> mais) não perca tanto tempo a lutar contra moinhos de vento e faça da
> biodiversidade e da sua gestão, incluindo as condições únicas que tem em
> Portugal, o motor da renda que num prazo de cinco a dez anos poderá estar a
> remunerar justamente a posse da terra.
> henrique pereira dos santos


publicado por MA às 12:11
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